Reflexão sobre as
redes sociais e literacia mediática e social nos ambientes digitais: com base
no documento de Lúcia Amante “Facebook e novas sociabilidades contributos da
investigação”
Segundo Castells (2005 (citado por Lúcia
Amante, 2013), não é a tecnologia que determina a sociedade, mas sim a
sociedade que dá forma à tecnologia de acordo com as necessidades, valores e
interesses das pessoas que utilizam as tecnologias.
No que diz respeito à sociabilidade, a
sociedade em rede é frequentemente acusada de provocar o isolamento dos
indivíduos e reduzir o contacto face a face, no entanto estudos têm demonstrado
o oposto, uma vez que a maior parte dos utilizadores da internet são mais
sociáveis, têm mais amigos e contactos, são mais ativos socialmente (Castells,
2005 (citado por Amante, 2013).
O principal motivo que leva as pessoas, e
em particular os jovens a usar o Facebook é manter as relações já existentes,
ou seja, manter o contacto com os amigos, e manter relações que de outros modo
se perderia (Lampe et al., 2006; Ellison et al., 2007; Sheldon, 2008; Lewis
& West, 2009; Madge et al., 2009; Ophus & Abbit, 2009; Pempek &
al., 2009 (citados por Amante, 2013).
De facto, para os jovens que participam
nas redes, os mundos online e offline encontram-se ligados (Igarashi, Takai
& Yoshida, 2005; Mcmillian & Morrisson, 2008; Subrahmanyam et al., 2008
(citados por Amnate, 2013).
Neste contexto, estudos demonstram que os
jovens aderem às redes sociais para manter contacto com os amigos e reforçar os
laços com novos conhecidos e não tanto para conhecer novas pessoas (Acquisti
& Gross, 2006; Ellison et al., 2007 (citados por Amante, 2013).
Assim, o Facebook pode contribuir para o
capital social- conjunto de recursos acumulados, ou benefícios resultantes das
relações entre as pessoas- e para a sua manutenção ao longo da vida (Amante,
2013).
Donath e Boyd (2004) defendem que a
utilização das redes sociais pode aumentar os designados “laços fracos” e
mantê-los, pois, a tecnologia permite aumentar essas relações, porém não
implicando um grande vínculo das relações criadas (citado por Amante,
2013). Segundo Amante (2013) o vínculo
diz respeito a relações entre indivíduos com forte ligação emocional remetendo
para relações próximas como família e amigos íntimos.
Existem diversos estudos sobre como o
Facebook funciona enquanto expressão de identidade de jovens – identidade
definida por Altheide (200), como o processo através do qual os indivíduos
partilham o seu “eu” com os outros- através do estudo de perfis. Sendo um
espaço social, o Facebook e outras redes sociais, dão igualmente lugar a
processos de construção de identidade dos jovens. Estar nas redes sociais
constitui uma forma de gerir a própria identidade, estilo de vida e relações
sociais.
Uma das questões relaciona-se com a
apresentação de uma identidade verídica ou idealizada. Alguns estudos
demonstram que os perfis se encontram muito próximos dos perfis dos seus
autores (Back et al., 2010 (citado por Amante, 2013), embora possam ter algumas
marcas de autoaperfeiçoamento.
De acordo com Boyd (2008) verifica-se que
os adolescentes procuram mostrar o seu verdadeiro eu no universo das redes
sociais.
De acordo com o estudo de Zhao e
colaboradores (2008 (citado por Amante, 2013) o facto de existir interatividade
offline entre os utilizadores das redes sociais, leva a que estes procurem
articular a identidade online com a identidade offline. Este mesmo estudo
identifica diversas estratégias através das quais os jovens expressam a sua
identidade:
- “Visual self” - é a mais frequente e
recorre à publicação de um grande número de fotos;
- “Cultural
self” - publicação de preferências e gostos (o que gostam, faze, lêem,
ouvem);
- “Narrative
self” - é a menos utilizada e corresponde à descrição personalizada tanto
sobre o aspeto físico, quer sobre características da personalidade.
Apesar de frequentemente se debater a
importância de usar as redes sociais dos contextos de educação, as pesquisas
têm revelado que a sua utilização ligada à aprendizagem e a usos educativos são
muito restritas (Pempek el al., 2009; Selwyn, 2007; Madge el al., 2009; Ophus
& Abbit, 2009 (citado por Amante, 2013).
Madge et al. (2009) no seu estudo com
alunos do primeiro ano numa Universidade do Reino Unido, concluem que o
Facebook é um importante instrumento na integração social dos estudantes na
universidade. Para os estudantes o uso do Facebook estava essencialmente ligado
a razões sociais, mas, por vezes era usado com objetivos académicos, como
formar grupos de trabalho ou questões administrativas.
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