Reflexão sobre “O uso das tecnologias digitais em rede na sociedade do século XXI, efeitos dos processos de uso e a sua importância na educação e na aprendizagem”



As novas tecnologias têm grandes alterações em numerosas profissões e atividades e consequentemente, no quotidiano das sociedades. No contexto da educação as TIC têm criado a necessidade de se refletir sobre não só o que é importante aprender, mas também sobre as formas como se vão realizar essas aprendizagens.     
A escola tem vindo a integrar estas mudanças de uma forma lenta e com dificuldades. Utilizar as novas tecnologias não é suficiente uma vez que estas não têm inerente uma pedagogia; torna-se necessário repensar as formas de aprender e ensinar de modo a desenvolver uma nova cultura de aprendizagem (Pozo, 1999), que para além de responder às necessidades de formação e educação da sociedade atual, permita também fazer uma avaliação crítica dessa avaliação e forneça novas referências sobre o que é fundamental aprender e de que modo se pode aprender, alterando os quadros de referência (Pereira, 2007).
Papert (2001), aplicou o conceito de assimilação de Piaget ao verificar que a escola assimila as inovações tecnológicas, integrando-as em esquemas pré-existentes e evitando as mudanças para as quais não está preparada. Muitas vezes os pc’s são colocados em salas específicas com professores específicos e utilizados apenas em determinadas disciplinas ou como novos e mais modernos retroprojetores, não contribuindo para alterar o modelo tradicional de transmissão de conhecimentos.
Segundo Ponte (2001) será necessário ir mais além da simples integração das novas tecnologias da escola e pensar em como colocá-las aos serviços dos projetos educativos e que esses projetos tenham subjacente um conceito de educação como um processo de desenvolvimento integrado- uma escola que aprende e não apenas ensina.

Segundo Figueiredo (2001) a construção de uma nova aprendizagem implica “uma mudança cultural que rompa com os paradigmas mecanicistas que hoje aprisionam os nossos sistemas escolares”.
Cuban (1993) considera que existem dois fatores responsáveis pela resistência da Escola às tecnologias: por um lado, a existência de conceções fortemente enraizadas daquilo que é ensinar, daquilo que se deve aprender e mesmo sobre o que deve ser a relação aluno-professor; por outo lado, o facto de existir uma organização etária das classes que molda profundamente a atuação dos professores.
Segundo Mello (2002), as mudanças introduzidas pelas novas tecnologias nas formas de acesso ao conhecimento não tiveram repercussão nas formas de organização pedagógica. Por exemplo, a lógica de compartimentação do saber que continua a verificar-se, atualmente na Escola, descontextualiza o conhecimento. Os novos media exigem novos cotextos sociais e culturais de aprendizagem, a escola já não pode ser considerada o único sítio em que se aprende. No entanto, continuará a ter um papel fundamental, constituindo-se como instituição social que promove a formação pessoal, social e cultural das pessoas, independentemente da idade – crianças, jovens e adultos, de acordo com um projeto de sociedade em que a educação seja vista “não como um processo de treino e de adaptação, mas como um processo de compreender e intervir no mundo” (Canário, 2002).
Como refere Mello (2002), não é suficiente que a Escola adote as novas tecnologias para que os alunos adquiram as competências exigidas pela sociedade do conhecimento, é fundamental reequacionar o papel da educação na sociedade atual tendo em conta a sociedade que se pretende construir no futuro, onde as tecnologias terão um papel determinante e onde a Escola deverá assumir novas responsabilidades e novas formas de educar com vista ao desenvolvimento humano. Como refere, Nóvoa (2002), quanto mais tecnológica se torna a sociedade, mais necessida.de existe de se criarem respostas humanas compensatórias, uma vez que a educação encontra na relação humana o seu sentido fundamental.

Segundo Dias (2001), “a comunidade de aprendizagem constitui-se como um sistema colaborativo e distribuído, que se forma pela interação e que se efetua através da comunicação, orientada por objetivos de aprendizagem partilhados entre os seus membros”. Uma vez que se caracteriza por uma cultura de partilha, participação coletiva em que alunos e professores desenvolvem um esforço conjunto com vista a objetivos comuns, a comunidade de aprendizagem, pode desenvolver-se tanto na sala de aula como na web.
Para Dias (2001), o tipo de processos de interação, que a web favorece constitui um contexto particularmente favorável ao desenvolvimento de comunidades de aprendizagem. Isto acontece porque, ainda segundo este autor, o princípio da comunicação em rede, sem limitações de tempo e distância favorece a dinâmica e as interações entre o grupo, facilitando a colaboração em atividades a desenvolver do contexto da aprendizagem. Anderson (2004), considera também uma vantagem o facto de a comunicação não ocorrer em temo real possibilitando um maior grau de reflexão, ou seja, como as intervenções não decorrem em tempo real, os alunos têm tempo para refletir e fundamentar as suas intervenções, o que se refletirá de forma positiva no processo de aprendizagem. Um outro aspeto positivo é o facto de a comunicação ser feita por escrito, uma vez que o processo de escrita exige do ponto de vista cognitivo uma organização mais clara das ideias do que no discurso oral. Deve ainda considerar-se que se verifica uma maior necessidade de participar e intervir na aprendizagem online, uma vez que se o aluno não participar não é visível nem para o professor nem para os colegas, o seu vínculo social com o grupo desenvolve-se através desta participação.
Segundo Jonassen (1990), os media interativos constituem um ambiente favorável ao desenvolvimento dos processos de cognição.
O grande potencial pedagógico do ensino online reside na criação de verdadeiras comunidades de aprendizagem, onde através da dimensão cognitiva e a dimensão social se desenvolve e constrói à aprendizagem.

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